Suzy* chegou à Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, organização apoiada pela Fundação Abrinq, por meio do Programa Nossas Crianças, aos 16 anos, motivada pelos exemplos dos irmãos mais velhos, que também participaram do projeto Dignidade e Justiça para a Infância e conseguiram construir um caminho diferente, como jovens aprendizes.
O que foi descoberto, logo nos primeiros atendimentos, veio por meio de um relato difícil: desde os 13 anos, ela trabalhava para uma cozinheira, começando com pequenas entregas e, depois, assumindo várias tarefas, incluindo o preparo de alimentos e serviços domésticos. A rotina era cansativa e, acima de tudo, perigosa. Suzy atravessava áreas marcadas pela violência, chegava em casa de madrugada, e, uma vez, até teve que se esconder para escapar de trocas de tiro na volta do trabalho. Além do desgaste físico, a adolescente sofria com o impacto emocional e com as faltas frequentes na escola, que ameaçavam sua formação e aprendizagem.
Só foi possível descobrir tudo o que ela passava graças ao espaço seguro criado nos atendimentos psicológicos, realizados por uma profissional contratada com o apoio da Fundação Abrinq. Foi nesse ambiente de acolhimento e confiança que ela pôde expressar sua dor e, mais importante, enxergar um novo caminho.
Com o apoio da equipe da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, Suzy conseguiu sua inserção como Jovem Aprendiz em uma escola.
O impacto dessa mudança foi nítido. Sua frequência escolar melhorou, a autoestima se fortaleceu e, no ambiente de trabalho formal, começou a receber elogios pelo comprometimento e dedicação. Na organização, ela também tinha aulas no curso de qualificação profissional, o que não apenas lhe deu ferramentas profissionais, mas também abriu horizontes, permitindo que ela enxergasse um futuro que antes parecia inacessível.
“Por meio dessa parceria com a Fundação Abrinq, conseguimos ver que é uma jovem que adquiriu mais autoestima e começou a ter mais esperança sobre o futuro. Ela reconhece que antes não tinha muita perspectiva e vivia imersa em uma realidade de trabalho infantil, mas hoje pode se ver em uma outra situação”, relata Cintia Albuquerque, coordenadora da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno.
Histórias como a de Suzy mostram que o enfrentamento ao trabalho infantil exige mais do que leis e políticas públicas. Exige presença, acolhimento e oportunidades reais. É o que a Fundação Abrinq faz todos os dias, ao lado de organizações como a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, que atuam com tanta competência e sensibilidade.