Gabriela* tem 10 anos e vive em Vitória da Conquista – BA. Quando chegou à Associação Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, apoiada por nós por meio do Programa Nossas Crianças, sua infância estava marcada por dolorosas dificuldades. Ela vive com a mãe, o padrasto e outros cinco irmãos, em uma casa simples, sustentada pelo trabalho dos dois adultos como catadores de materiais recicláveis. Gabriela também contou sobre agressões físicas causadas pelo pai. Inclusive, por conta disso, sua mãe ficou sob medida protetiva e o pai foi preso.
Entre tantas dificuldades, havia também o trabalho infantil. Gabriela saía pelas ruas com os irmãos mais velhos para catar recicláveis, exposta ao perigo e ao cansaço. Era uma rotina dura para uma menina de apenas 10 anos, que aprendia cedo a lidar com responsabilidades que não eram suas.
Tudo começou a mudar quando ela passou a frequentar a associação. Lá, encontrou um espaço de cuidado, aprendizado e afeto. Com o nosso apoio, a instituição pôde ampliar seu trabalho e oferecer aulas de dança, teatro e um grupo terapêutico, além do acompanhamento com uma psicóloga.
Foi nesse ambiente de acolhimento que Gabriela começou a se sentir mais à vontade. A dança devolveu a leveza que ela havia perdido. O teatro ajudou a colocar em palavras o que antes doía em silêncio. E os atendimentos psicossociais mostraram a ela que, mesmo passando por alguns traumas graves, ela podia confiar novamente nas pessoas certas.
E desde então, ela só teve progresso na associação. Comunicativa, Gabriela fez amizades e hoje participa das atividades com entusiasmo, além de cuidar mais de si. Sua aparência mudou, com roupas limpas, cabelo bem cuidado e um sorriso mais frequente. Pequenos sinais que revelam algo muito maior: o resgate da autoestima e o renascimento da infância.
A assistente social da associação, Elisângela Marinho, relata que Gabriela raramente falta. Mesmo morando longe, ela vem todos os dias, almoça na instituição e só vai embora no fim da tarde. “Ela gosta de estar aqui”, diz Elisângela. “Gosta de aprender, de dançar, de brincar. Se falta eu entro logo em contato com a mãe para perguntar, pois ou é doença ou aconteceu alguma coisa”.
Histórias como a de Gabriela mostram o apoio faz diferença. Foi assim que ela pôde ser acompanhada, acolhida e estimulada a sonhar novamente.